Nos últimos anos, a chamada geração “nem-nem” — jovens que não estão nem a estudar nem a trabalhar — tem vindo a crescer em Portugal, levantando preocupações sobre os desafios sociais, económicos e educacionais que enfrentamos enquanto sociedade. Dados recentes indicam que entre 2022 e 2023, pois, houve um aumento significativo no número de jovens nesta situação, o que exige uma análise profunda e soluções concretas para inverter esta tendência.
Quem são os jovens “nem-nem”?
A expressão “nem-nem” refere-se aos jovens entre os 15 e os 29 anos que, por diversas razões, não estão a frequentar nenhum tipo de ensino ou formação e também não estão inseridos no mercado de trabalho. Assim sendo, este fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas aqui tem assumido proporções preocupantes. Segundo um relatório do Eurostat, em 2023, cerca de 15% dos jovens portugueses encontravam-se nesta situação, um aumento em relação ao ano anterior.
Os motivos que levam os jovens a fazer parte desta geração são diversos e muitas vezes interligados. Entre as principais causas estão:
- Dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, com ofertas de emprego precárias ou mal remuneradas;
- Desistência ou abandono escolar, frequentemente associada a dificuldades económicas ou falta de motivação;
- Problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão;
- Falta de oportunidades de formação ou qualificção profissional adaptadas às necessidades do mercado.
Impactos do aumento desta geração
O crescimento do número de jovens “nem-nem” tem implicações profundas tanto a nível individual como coletivo.
1. Consequências sociais:
- Os jovens que não estudam nem trabalham podem sentir-se excluídos da sociedade, o que agrava problemas de isolamento social e pode levar ao aumento de comportamentos de risco.
2. Impacto económico:
- Esta situação traduz-se em uma mão de obra subaproveitada, o que afeta a produtividade do país e contribui para o aumento dos custos sociais, como subsídios de desemprego.
3. Repercussões a longo prazo:
- A falta de experiência e qualificção pode dificultar ainda mais a entrada destes jovens no mercado de trabalho no futuro, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão.
A importância da educação e formação profissional
Uma das formas mais eficazes de combater este fenómeno é investir em educação e formação profissional. No entanto, isso exige que as instituições de ensino e as políticas públicas se adaptem às necessidades reais dos jovens e do mercado de trabalho.
- Cursos adaptados às tendências do mercado: Áreas como tecnologia, sustentabilidade e saúde apresentam grande procura. Desenvolver programas de formação nestes setores pode facilitar a inserção profissional dos jovens.
- Estímulo ao empreendedorismo: Oficinas e formações que incentivem os jovens a criar os seus próprios negócios podem ser uma alternativa para combater a inatividade.
- Parcerias entre empresas e escolas: Promover estágios e programas de aprendizagem que conectem os jovens à realidade do mercado de trabalho é essencial para facilitar a transição entre a formação e o emprego.
Políticas públicas para apoiar os jovens “nem-nem”
O papel do governo e das instituições públicas é crucial para enfrentar este desafio. Assim sendo, algumas medidas que podem ser implementadas incluem:
- Programas de apoio financeiro: Subsídios para jovens que desejam retomar os estudos ou participar em formações profissionais.
- Melhoria das condições de trabalho: Aumentar o salário mínimo e garantir condições laborais dignas pode motivar os jovens a procurar emprego.
- Apoio à saúde mental: Disponibilizar serviços acessíveis de psicologia e psiquiatria para ajudar jovens que enfrentam problemas emocionais ou psicológicos.
- Campanhas de sensibilização: Informar os jovens sobre as oportunidades existentes e a importância de continuar a estudar ou trabalhar é fundamental para combater o desinteresse.
Como os jovens podem sair desta situação?
Embora as soluções dependam de um esforço coletivo, os jovens também podem tomar iniciativas para sair desta situação. Algumas dicas incluem:
- Procurar cursos online: Existem várias plataformas gratuitas ou acessíveis que oferecem formações em áreas como tecnologia, idiomas e gestão.
- Participar em programas de voluntariado: Estes programas ajudam a ganhar experiência e a desenvolver competências valorizadas pelo mercado de trabalho.
- Investir em redes de contacto: Construir uma rede de relações com profissionais da área de interesse pode abrir portas para oportunidades futuras.
O aumento da geração “nem-nem” em Portugal é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Este fenómeno representa não apenas um desafio para os jovens envolvidos, mas também para toda a sociedade, que perde o potencial de uma geração cheia de talento e capacidade. A solução passa por um esforço conjunto entre governos, instituições de ensino, empresas e os próprios jovens.
Investir na educação, criar condições dignas de trabalho e apoiar o desenvolvimento pessoal e profissional são passos fundamentais para garantir que esta geração encontre o seu lugar na sociedade. Afinal, o futuro de Portugal depende do sucesso dos seus jovens.
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